23 de set de 2015

Viva


Era uma mistura de sentimentos, muitas vezes sem nome.
Ansiedade pelo futuro, mágoas do passado, incertezas do presente.
Pessoas que já não via há muito tempo passaram a ser apenas lembranças de rostos sem vozes (que já não se lembrava mais).
Sentimentos vazios por elas. Tristeza não. Talvez pena, preocupação ou indiferença mesmo. Você mudou e algumas dessas pessoas ficaram para trás.
Pessoas com olhares vagos tentando provar serem o que não são. Pessoas que não possuem coragem de arriscar tudo ou agir buscando uma mudança.
O que ganha quem não é capaz de preocupar-se com a própria vida? Que bem faz viver a custa da infelicidade do outro?
Tão bom viver a própria vida e preocupar-se com o que realmente importa. Com o tempo aprendemos a dar valor à isso e não ao que nos faz mal.
Vamos entendendo que os nossos sonhos podem mudar com grande frequência. Prioridades podem trocar de ordem em um piscar de olhos. Criamos gostos distintos do que se estava acostumado.
Tão bom que isso aconteça. Tão bom quando se sabe que mudar a rotina será sempre a coisa mais trabalhosa e corajosa a se fazer.
Tão bom descobrir novos gostos, novos motivos que nos façam sorrir, novos horizontes.
Talvez esse sentimento sem nome não faça sentido agora, talvez nunca fará. Talvez seja apenas uma fase ou talvez seja propício para nosso próprio crescimento. E o único jeito de descobrir isso é continuar vivendo, dia após dia como se fosse o último. Arriscando, mudando tudo de lugar, de novo e de novo, sem nunca deixar o frio na barriga desaparecer.